Menos santinhos e mais banners: como foi a campanha nas periferias de SP

A Percepção da Campanha nas Ruas

“Parece que as eleições nem estão acontecendo.” Esta afirmação, ouvida pela correspondente Jacqueline Maria da Silva em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, sintetiza o que muitos moradores perceberam nas periferias da capital e da Região Metropolitana durante o primeiro turno das eleições de 2026. Relatos de correspondentes da Agência Mural indicam que, dessa vez, a campanha nos bairros foi menos intensa do que em pleitos passados, especialmente devido à diminuição da distribuição de santinhos e da presença física de candidatos nas comunidades.

No entanto, isso não significa que a política tenha se esvaziado. Em vez de abordagens tradicionais, como os santinhos, os candidatos recorreram a novas táticas: bandeiras, carros de som, materiais via correio e mobilizações específicas em áreas estratégicas. Além disso, dados levantados pela Mural revelam que, ao menos, 30 atos públicos de candidatos a cargos como o governo do estado e a presidência ocorreram na Grande São Paulo durante a campanha.

A Redução dos Santinhos

A percepção de um clima eleitoral mais apático se manifestou de Embu das Artes a Suzano, e dentro de bairros da zona sul, como no Jardim Vista Alegre, onde o correspondente Felipe Barbosa notou uma queda na circulação de santinhos. Para ele, essa falta de material impresso foi notável em comparação às eleições anteriores.

campanha nas periferias de SP

As campanhas que mais se destacaram na região foram de candidatos como Ely Santos (Republicanos) e Ney Santos (Republicanos), ambos ativos no território, mas ainda assim a movimentação foi considerada abaixo do esperado. O mesmo fenômeno foi observado na Vila Ipelândia, em Suzano, onde o correspondente Renan Omura notou escassez de bandeiras e materiais eleitorais, com destaque apenas para a campanha de Gerice Lione, que se aventurou em uma carreata.

A Ascensão dos Banners

Na zona sul de São Paulo, o que se viu foi uma troca significativa: os santinhos cederam espaço para banners. No Jardim São Luís, Daniel Santana reportou que a presença de wind banners, especialmente de candidatos já conhecidos, era visível por vários pontos da região. As ruas estavam significativamente mais limpas em relação a pleitos anteriores, onde os sanções estavam em toda parte.

Além disso, surgiu uma nova estratégia: o envio direto de cartas para os lares dos eleitores, alguns com a palavra “urgente” estampada. Ao serem abertas, essas cartas continham informações sobre as ações dos candidatos, com alguns cartazes e santinhos inclusos. Em lugares como Cidade Dutra, a intensidade da campanha se intensificou nas casas dos moradores, com uma mistura de cartões, banners e até jornais de bairro com conteúdo político.

Mobilizações Locais e Sua Importância

Profundamente inseridas na dinâmica das campanhas, as mobilizações locais tornaram-se cruciais para a aproximação dos candidatos com o eleitorado. Jacqueline Maria da Silva, de Cidade Ademar, informou que muitos moradores consideravam o processo eleitoral distante. Mesmo assim, a presença nas telas dos celulares pode ter contribuído para esse afastamento. Campanhas digitais têm alcançado até as crianças que tomam contato com essas tecnologias, embora a rápida rotação de conteúdos online possa torná-los menos impactantes que um banner físico exposto nas ruas.



Campanhas Camufladas: O que São?

A criatividade tática em campanhas políticas não se limitou a formatos convencionais. Em Cotia, correspondentes relataram que materiais impressos questionáveis, que aparentavam ser desenhos infantis, solicitavam votos para a candidata Angela Maluf (PSD). Pais expressaram suas preocupações quando esses papéis foram entregues aos filhos na escola. Educadores confirmaram que os materiais pareciam ter origem fora do ambiente escolar.

Além disso, folhetos disfarçados como panfletos religiosos foram detectados em igrejas evangélicas em São Bernardo do Campo, servindo como uma estratégia para atrair votos, aproveitando a familiaridade do público com tais formatos.

Impacto das Redes Sociais nas Eleições

O impacto das redes sociais na comunicação eleitoral não pode ser subestimado. Enquanto as campanhas tradicionais tampavam boa parte do espaço público, a presença digital permite que mensagens políticas alcancem uma audiência mais ampla, porém, com menos impacto direto. Os anúncios em redes sociais tendem a ter efemeridade; a saturação constante de informações digitais pode fazer com que conteúdos importantes se percam no meio da massificação.

A Influência dos Carros de Som

No entanto, o uso de carros de som foi um elemento constante nas mobilizações, especialmente em locais como Jordanópolis, em São Bernardo do Campo. A campanha começou em agosto, com a presença rotineira de carros de som promovendo candidatos como Fran Silva (Podemos) e Julinho Fuzari (Republicanos). Inicialmente, o cenário apresentava escassos santinhos, mas em setembro os banners começaram a aparecer nas principais vias.

Distribuição de Materiais nas Comunidades

As estratègies de distribuição de matérias nas comunidades mostraram-se diversificadas. Com a campanha ganhando corpo, materiais começaram a ser mais visíveis em locais como as avenidas e ruas próximas a escolas. Candidatos como Julinho Fuzari, Alex Manente (Cidadania) e Orlando Morando (MDB) estavam entre os que mais se destacaram nesse quesito. A correspondente Simony Maia também mencionou a percepção de que, apesar da distribuição de santinhos ser reduzida, os carreatas e atos públicos não passaram despercebidos.

Formatos Inovadores de Campanha

O cenário atual das campanhas eleitorais nas periferias de São Paulo está em constante transformação. Inovações como o uso de banners e cartas para os eleitores são agora estratégias frequentemente utilizadas. Isso reflete uma tentativa de adaptar-se à realidade das comunidades e de como essas interações ocorrem no espaço urbano. Candidatos dispostos a se atualizar em relação ao formato e à abordagem tendem a criar um impacto maior em suas campanhas, enquanto aqueles que se prendem ao tradicional podem se encontrar em desvantagem.

O Futuro das Eleições nas Periferias

À medida que o cenário político evolui, as estratégias eleitorais também devem se adaptar. O que se viu nas eleições de 2026 pode ser um reflexo das mudanças contínuas na dinâmica eleitoral das periferias. Estratégias modernas, que incluem uma forte presença nas redes sociais e uma abordagem digital mais flexível, são cruciais para atraírem a atenção do eleitorado jovem. Ao mesmo tempo, as campanhas tradicionais não podem ser totalmente descartadas, pois ainda desempenham um papel importante em comunidades que valorizam a interação face a face. O futuro das eleições nas periferias pode depender de uma boa combinação dessas abordagens, onde a inovação se encontrará com as práticas estabelecidas.



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